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CARLOS PEZOA VELIZ
( CHILE - 1879-1908 )
Inicia o período moderno da poesia chilena, em princípios do século XX, escreve dois ou três poemas impecáveis e muitas composições de ambiente crioulo, em que há indiscutíveis belezas, fortes, bem timbradas, entre várias estrofes desiguais. É dos que cresceram entre estrofes desiguais. É dos que ficaram mais lidos depois de mortos e alguns colocam sua figura original das letras chilenas atuais.
LAS CIEN MEJORES POESIAS CHILENAS. Selección de ALONE. 6ª. Edición. Santiago, Editorial del Pacífico, 1973. 255 p. No. 10 357
Exemplar da biblioteca de Antonio Miranda
TEXTO EN ESPAÑOL
TARDE EN EL HOSPITAL
Sobre el campo al agua mustia
cae fina, frágil, leve;
con el agua cae engustia;
llueve…
Y pues, solo en amplia pieza,
vazgo en cama, yazgo enfermo;
para espantar la tristezas,
duermo.
Pero el agua ha lloriqueado
fruto de mí, cansada, leve;
despierto sobresaltado;
llueve…
Entonces, muerto de angustia,
ante el panorama inmenso,
mientras cae el agua mustia,
pienso.
NADA
Era un poble diablo que siempre venía
cerca de un gran pueblo donde yo vivía;
joven, rubio y flaco, sucio y mal vestido,
siempre cabisbajo… ¡Talvez un perdido!
Un día de invierno lo encontraron muerto
dentro de un arroyo próximo a mi huerto
varios cazadores que con sus lebreles
cantaban marchando… Entre sus papeles
no encontramos nada… Los jueces de turno
hicieron preguntas al guardián nocturno:
éste no sabía nada del extinto,
ni el vecino Pérez, ni el vecino Pinto.
Una chica dijo que sería un loco
o algún vagabundo que comía poco;
y un chusco que oía las conversaciones
se tentó de risa… ¡Vaya unos simplones!
Una paletada le echó el panteonero,
luego lió un cigarro, se caló el sombrero
y emprendió la vuelta… Tras la paletada,
!nadie dijo nada, nadie dijo nada!
TEXTO EM PORTUGUÊS
TARDE NO HOSPITAL
Sobre o campo, a água parada
cai fina, frágil, leve;
com a água vem a angústia;
chove…
E assim, sozinho num quarto espaçoso,
deito-me na cama, deito-me doente;
para afastar as mágoas,
durmo.
Mas a água chorou,
por minha causa, cansado, leve;
acordo sobressaltado;
chove…
Então, morrendo de angústia,
diante do imenso panorama,
enquanto a água parada cai,
penso...
NADA
Era um pobre coitado que sempre aparecia
perto da cidade grande onde eu morava;
jovem, loiro e magro, sujo e malvestido,
sempre cabisbaixo… Talvez uma alma perdida!
Um dia de inverno, vários caçadores o encontraram morto
num riacho perto do meu pomar,
enquanto marchavam com seus galgos… Entre seus papéis,
não encontraram nada… Os juízes de plantão
interrogaram o vigia noturno:
ele não sabia nada sobre o falecido,
nem o vizinho Pérez, nem o vizinho Pinto.
Uma moça disse que ele devia ser um louco
ou algum vagabundo que não comia muito;
e um brincalhão que ouviu a conversa
caiu na gargalhada… Que idiotas!
O coveiro lhe deu uma pá de terra,
enrolou um cigarro, puxou o chapéu para baixo
sobre o ombro
e começou a voltar… Depois da pá,
ninguém disse uma palavra, ninguém disse uma palavra!
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Página publicada em fevereiro de 2026
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